Levantamento mais recente da Datastore, maior pesquisa de demanda imobiliária do país, mostra algo que contraria o senso comum de "ano de eleição trava tudo": a intenção de compra de imóvel segue subindo. Segundo o Datastore Monitor (39ª edição, 3º trimestre de 2026, divulgado por Marcus Araujo em 08/10), cerca de 12,9 milhões de famílias pretendem comprar um imóvel nos próximos 24 meses — alta em relação ao trimestre anterior e também na comparação anual.
E o dado mais relevante pra quem atua em médio e alto padrão: é justamente o segmento de luxo que lidera a intenção de compra, com 34% das famílias desse público pretendendo comprar em 24 meses e 45% em 12 meses — à frente do SBPE (32% e 44%) e do Minha Casa Minha Vida (28% e 40%). Na divisão por região, o Sul do país aparece entre os líderes nacionais, com 33,29% de intenção em 24 meses e 45,5% em 12 meses, empatado com o Centro-Oeste no topo do ranking.
A própria pesquisa faz a ressalva: os dados foram coletados antes do primeiro turno, então não captam a reação pós-urnas — isso só aparece na próxima edição, prevista para 15 de dezembro. Mas o que já se sabe do comportamento do comprador brasileiro em ano eleitoral reforça a leitura: um levantamento Loft/Offerwise com 1.400 entrevistados em seis capitais mostrou que 51% de quem já planeja comprar dizem que a eleição presidencial não muda o plano, e outro dado (ABECIP/Brain) apontou que a intenção de compra bateu recorde histórico em junho, em 52% — o maior nível da série iniciada em 2019.
A leitura de analistas do setor é direta: o mercado já precificou a eleição, e quem adia a decisão só pra "esperar passar" tende a pagar mais caro depois — seja porque o imóvel valorizou, seja porque perdeu a condição de crédito do momento. Pra quem pensa em médio e alto padrão, o recado é duplo: é exatamente esse o segmento mais resiliente nos dados, e cidades do interior como Chapecó — menos expostas à volatilidade política do que os grandes centros — tendem a sentir ainda menos esse ruído no dia a dia do mercado.