Enquanto boa parte de Balneário Camboriú disputa o título de cidade dos arranha-céus, a Praia do Estaleiro aposta no caminho inverso — e lucra com isso. O Plano Diretor local limita construções a três pavimentos na região, preservando Mata Atlântica e mantendo baixa densidade. Resultado: uma unidade de 579 m² no empreendimento Ená está anunciada por aproximadamente R$ 33,1 milhões, com o m² passando de R$ 100 mil.
A lógica é simples e rara no mercado imobiliário: escassez garantida por lei. Enquanto o resto do litoral catarinense segue verticalizando, bairros como Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras e Taquarinhas têm oferta estruturalmente limitada — o que transforma cada metro quadrado num ativo mais raro, não importa o quanto a demanda cresça. "O Ená é um dos projetos que vai impactar esse mercado", avalia Bruno Cassola, CEO da IBC Imobiliária. O projeto é assinado pelo arquiteto Jayme Bernardo.
Pra Cassola, a tendência é de valorização significativa nos terrenos da região justamente por causa desses limites urbanísticos — uma dinâmica de investimento diferente da aposta pura em metros quadrados construídos: aqui, o que sustenta o preço é a impossibilidade de replicar a oferta.
É um lembrete valioso pra quem pensa em alto padrão como investimento: nem toda valorização vem de prédio mais alto ou lançamento maior. Às vezes, o ativo mais raro — e mais resiliente a longo prazo — é justamente aquele que a lei impede de se multiplicar.